sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

20/12/08


E tudo aqui é para você lembrar que eu existo, saber que eu choro todos os dias, sonho todos os dias, acordo todos os dias e agora não durmo mais. Meu coração fica tão apertado e eu não digo saudade, eu falo que é uma dor que apara minhas unhas e faz o cabelo cair. Me responde. Eu choro tanto que até penso que em breve as pessoas vão comentar que desidratei de tanto chorar e que a minha pele era bonita, então fui deixando a tristeza invadir e tudo ficou amarelo. Eu vou ser uma menina amarela. E a cada hora nova que o relógio marcar eu vou ficar mais apagada, porque chorar e vomitar não são atividades bonitas. Queria que você me escutasse respirar no intervalo entre secar uma lágrima e derramar outra. Talvez não ficasse comovido, mas poderia muito bem notar que meu corpo fica todo fica desajeitado quando meu rosto começa a demonstrar desespero. Eu vou te escrever todos os dias, e não me diga que será feio ou indecifravel, acredite que só assim eu estarei sendo justa, afinal me desprendo o tempo todo e não existe um desejo mais forte do que o de permanecer. Vou te mostrar a minha roupa azul e tomara que você abra o maior sorriso do mundo, é a minha roupa preferida, uma blusa de mangas muito largas e uma calça que está cansada de tanto arrastar seus pedaços pelo piso, eu uso. Eu vou te contar que é meu uniforme, a minha veste oficial de dormir-pensando-em-você e depois vou olhar por uma janela bem pequena e ver como o céu continua exatamente no mesmo lugar, mas as nuvens se movimentam o tempo inteiro, e apesar delas serem indecisas o céu continua deixando que elas permaneçam. Me convida para ficar. Eternamente. Toda vez que eu choro eu sinto o tempo se esvair, esqueço meus trabalhos da faculdade, deixo meu paninho num canto arrumadinho, gosto de pensar que quando esqueço de fixar meus olhos eles resolvem conversar. "tell me that you need me and that you think i'm pretty." Eu devia muito bem sair por aí falando que irei sumir do mundo e que quem quiser me encontrar vai ter que procurar em todos os desertos que existem, só que eu tenho medo. E não é um medo pequeno, assim como o medo que eu tenho de fechar as janelas quando está escuro, é um medo gigantesco e poderoso, um medo-tempestade, sai desvatando, fazendo barulho, eu fico tonta e desmaio. Fico destruida no lado mais frio do tapete pensando que voce pode esquecer que eu fui morar no deserto e se esquecer não vai ter como sorrir para a minha roupa velha. Fico destruida no lado mais frio do tapete pensando que voce pode não querer ir até o deserto me encontrar. Então eu lembro de escrever sobre a minha alergia a areia, talvez a impossibilidade de sobreviver é que me faça querer fugir tanto, acho que eu cultivo um desejo de morrer imediatamente muito grande, vou pensar numa competição e tentar ver quem é maior: o medo ou minha vontade de desfalecer. Eu gosto de pensar em palavras, lembrar que palavras bonitas existem é quase tão calmante quanto lembrar que voce existe e está aí - um pouquinho longe - mas ainda respirando, enxergando e as vezes até me deixando um pouquinho triste. Desfalecer é uma palavra bonita e romantica, eu acho. Eu vou te mostrar a minha lista de palavras que deviam estar num museu, é uma lista mental e eu inventaria um lugar especial só para palavras lindas, porque as vezes eu quero lembrar como é que se evita uma repetição e não consigo. Eu penso que este texto está todo muito infantil, é como a paixão que eu tenho por quem fala no diminutivo, eu adoro ouvir as pessoas falando, não consigo. Preciso te contar que eu escrevo qualquer coisa como as outras coisas que existem aqui todo o tempo, eu tenho um número pequeno de ocupações e uma preguiça inventada. Eu não sei como dizer tchau. Minhas idéias estão sempre organizadas de maneira não-muito-organizada e elas não permanecem muito tempo. Espero que você entenda tudinho o que eu escrevi, cada vírgula, cada uso repetido, porque eu simplesmente escrevi aqui, eu escrevi com a esperança mais vergonhosa e humana de que voce lesse, apesar de saber que outras pessoas leem o que eu escrevo aqui e ficam acreditando que eu vou morrer e até que eu sou mentirosa. Mas eu vou morrer e eu minto quando eu tento ficar quieta e penso em dizer tchau, e até no meu pensamento o adeus é limitado, eu crio uma meta de arrumar a minha vida, parar de chorar/vomitar e começar a fazer os trabalhos da escola e digo que vou deixar voce num cantinho escondido junto com a minha fazendinha, não consigo. Então eu volto a chorar, e usar as minhas mãos antigas para fazer com que a cabeça não caia, assim o corpo ficaria por aí muito descoordenado e eu seria uma pessoa estranha demais, o mundo tolera meninas que se apagam, mas acho que ninguém gosta de um pedaço avulso atrapalhando o andamento de tudo. Eu não sei desligar, mas eu penso que preciso, afinal hoje é dia de vestir o uniforme e deixar que os se fechem, amanhã é outro dia, um novo dia para chorar/vomitar e imaginar museus, animais inanimados que conversam. amanhã é hoje. e hoje é um dia pesado demais. e é tão pesado que eu acabo tentando não suporta-lo. Achei o meu bloquinho, tem um cachorrinho e uma menina na na capa, uns trilhos e um violino. Nunca vi um violinista num trilho. Já andei de trem e eu gosto mais do deserto - Tem uma frase aqui, eu anotei ela com a minha letra feia e sem espaço, olha como é o final: "me responde teu nome é um perfume espalhado". E eu acho que preciso ir deitar. Mesmo querendo que tudo isso dure para sempre, mesmo sabendo que "para sempre" é um um tempo que não dá pra imaginar e dentro da falta de imaginação eu posso amarelar, desaparecer e as minhas idéias também, mas eu bem acho que o que eu sinto vai continuar. mesmo sendo um pouco exagerado e bobo. mesmo eu não sabendo se há alguma correspondencia. vai continuar. e eu tenho uma certeza: você. E eu tenho outras certezas bobinhas, só que eu vou deixar elas em segredo ;x

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