sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Estupidez


Não dá mais pra suportar a violência. e não que alguma vez pudéssemos ter suportado. tornou-se uma espécie de ferida, que não cicatriza mas também não arde.
E a gente tem medo - não por covardia, mas por pressão. a gente tem receio, e não por pura desconfiança. A cada dois passos, a gente teme um em falso. E não é porque tenhamos nos acovardado de alguma forma. é porque estamos escaldados, sem maiores estratégias para reagir. ficamos preocupados e pressionados contra a parede. de violência, todos nós sabemos - até porque, não é preciso um assombroso crime para nos pôr de cara com ela. qualquer palavra ofensiva, qualquer gesto que nos oprima e nos confunda.
Porque somos pretos, porque somos brancos, porque somos muçulmanos ou judeus, ou porque somos católicos ou protestantes, porque somos orientais ou ocidentais, porque somos estrangeiros numa terra sem Deus, porque atravessamos fronteiras, porque atravessamos florestas, porque cometemos suicido e consumimos prozac feito pipoca, porque bombardeamos prédios, metrôs, palácios, favelas ou casebres - porque traficamos e compramos qualquer bosta, porque largamos ou tomamos um tiro, porque somos brasileiros ou europeus, porque somos democratas ou republicanos, porque financiamos a prostituição ou um time de futebol inteiro, porque somos profissionais liberais ou empregados de merda alguma, porque somos patrão ou subalterno, porque somos povo ou somos elite, porque somos direita ou somos esquerda, porque somos jovens ou somos velhos, porque somos certos ou porque somos "errados?" - porque somos humanos, e só.
Basta ter vida para que haja morte. basta ser gente, pessoa, para voltarmos a ser macaco. ofensas, agressões, calão e opressão. eu posso ou não posso culpar quem me assalta, quem me rouba, quem me engana? eu passarei a vida inteira sem enganar, sem mentir, sem ofender? ou mata, ou morre. eu tenho medo, e não porque sou covarde - mas porque sou gente. não é exclusividade do Brasil viver em meio ao medo de não retornar para casa. as estradas, as rodovias, as ruas, os shoppings e os parques são antros de desconfiança. eu não sei pra onde eu vou, não só por minha causa, mas por causa de outra pessoa também. a violência e a estupidez não são chagas na sociedade - são a margem, que cerca e rodeia, que sempre existiu. não existe uma maneira eficaz de erradicar com ela. mas existem maneiras de amenizar o sofrimento. eu não suporto o egoísmo. não posso entrar na cabeça de toda e qualquer pessoa, como também não podem entrar na minha. Somos apenas espectadores de uma crueldade e de uma barbárie sem dimensões, e sem restrições porque fazemos parte disso. Por isso, tenho medo.
(8) Móveis Coloniais de Acaju - Seria o Rolex?

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