terça-feira, 25 de novembro de 2008

além...


O problema da condição humana não é a morte.
Melhor: não é o conhecimento que temos de que vamos morrer. Nosso problema é não termos como interferir no passado. Seríamos felizes se tivéssemos como editar o passado.
Sobretudo o passado amoroso. Fazer as coisas que não fizemos, e que deveríamos ter feito. Não fazer certas coisas que fizemos, e que não deveríamos ter feito.
Deus, como eu gostaria de uma máquina do tempo. Aquela palavra que não foi dita: teríamos a chance de dize-la. Aquele gesto que faltou: teríamos a chance de faze-lo.
E mais que tudo um passo específico: teríamos a oportunidade de refletir sobre ele.
Quero dizer o seguinte: há, na história dos nossos amores, um passo a partir do qual não há volta. Um determinado passo. Cada um de nós sabe, num amor perdido, qual foi exatamente o passo a partir do qual não havia volta.
Todo o resto é conseqüência desse passo.
O sonho vão de todos nós, no amor, é voltar atrás num único passo.
Aquele fatal.

(duvidaa):

É impressão minha ou, nos primeiros tempos que se seguem ao fim de um caso de amor, elevamos a pessoa acima do que ela realmente é? Ou sou eu, que tenho esse desvio psicológico para, aumentada a dor da perda, encontrar inspiração para escrever? sei lá...



d*.*b Só Por Causa de Você - Gramofocas

Um comentário:

Guii disse...

Acho que todo mundo eleva alguém... a dor é como um choque de realidade... sentimos para não achar que morremos junto com o fim da relação. A dor acorda!

Uma máquina do tempo seria perfeita!