sobre a raiva. em si mesma.
poderia pesquisar profundamente as raízes do termo, as primeiras incidências, a culpa da raiva na mãe-história e na sociedade. mas nada disso me interessa, uma vez que para mim é mais importante falar sobre o que se sabe de verdade. se a ira é um dos pecados capitais, se construiu muros (e destruiu tantos outros), se provocou chacinas absurdas e holocaustos inexplicáveis - nada disso - não, eu não posso falar com desenvoltura. sabendo ou não da raiva do mundo, eu sei mais é da raiva do meu umbigo.
poderia pesquisar profundamente as raízes do termo, as primeiras incidências, a culpa da raiva na mãe-história e na sociedade. mas nada disso me interessa, uma vez que para mim é mais importante falar sobre o que se sabe de verdade. se a ira é um dos pecados capitais, se construiu muros (e destruiu tantos outros), se provocou chacinas absurdas e holocaustos inexplicáveis - nada disso - não, eu não posso falar com desenvoltura. sabendo ou não da raiva do mundo, eu sei mais é da raiva do meu umbigo.
sentir raiva é, simplesmente, maçante.
Raiva de si mesmo, por ter perdido, por ter fracassado, por não se sentir adequado. nesta mesma ilusão perdida de adequação, colocamos os outros em semelhante panela de pressão.
exaltados, acreditamos que um jeito só serve, e que todos os outros não representam mais nada. semeamos raiva nos outros, e colhemos a nossa própria raiva.
É um soco perdido, uma palavra suja que ficou entalada na garganta e não saiu. dessa forma estamos sempre destruindo (explodindo, dinamitizando) os muros das outras casas. chutando o pau das barracas que não são nossas.
Se a cólera nos consome, ou consome todo o resto, é cansativo, além de triste, o olho que fica vermelho, e a raiva que amadurece e fertiliza o nosso próprio estômago.se eu quis te machucar, eu quis. por uma ordem estranha, vinda mais do meu estômago do que da minha cabeça. a raiva é uma úlcera convservada, nutrida. violenta. vermelho sangue. e apesar de tudo, nos consome. acabamos e definhamos. destilamos.
O álcool projenitor dos nossos desesperos.
temos vontade e medo de quebrar o peito de alguém. e estamos nessa, imaginando diálogos inexistentes, paredes explosivas e coisas mais. que só nos cercam, e nos isolam, e nunca (nunca) permitem que sejamos benevolentes. que sejamos pacientes, entendedores, complacentes.
Sentir raiva é perder tempo. perdoar, é complicado. amar é ainda mais difícil. mas tudo isso, em seu grau, se faz necessário. esqueçamos de nos odiar por algum dia. porque não somos os mesmos. os nossos egos retumbam.
Não é só o nosso pensamento, a nossa religião, a nossa etnia. o nosso povo é maior.
a nossa empatia é mais saudável. esqueçamos de alimentar e adubar as árvores do jardim de rancores. deixemos que floresçam as pétalas do amor que temos - maior e mais justo.
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PS: cansada³
Um comentário:
PS: Cansado também...
PS²: Adorei o texto... mto bom hehe
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